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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Governo britânico amplia oferta de cirurgia bariátrica a diabéticos com obesidade leve

O governo britânico pretende estender a possibilidade de cirurgia bariátrica a pacientes portadores de diabetes tipo 2 com obesidade leve, ou seja, com índice de massa corporal (IMC) entre 30 e 35 (1). 
Atualmente, o sistema público de saúde da Grã-Bretanha oferece a cirurgia a ou com obesidade moderada (IMC entre 35 e 40) que tenham alguma doença grave associada ou a pacientes com obesidade grave (IMC maior do que 40). 
Há muito tempo se sabe que o diabetes melhora com a cirurgia bariátrica em pacientes com IMC maior que 35. Nos últimos anos, novos estudos mostram que a cirurgia bariátrica é eficaz também no tratamento do diabetes em pacientes com IMC entre 30 e 35. Entre estes estudos se inclui uma pesquisa de nosso laboratório na UNICAMP, publicada na semana passada (2).
O Instituto Nacional de Saúde e Cuidados de Excelência da Grã-Bretanha (NICE, na sigla em inglês) tem a intenção de oferecer a cirurgia bariátrica a um maior número de pacientes com diabetes tipo 2. As novas regras recomendam que os médicos britânicos proponham a cirurgia bariátrica para todos aqueles com IMC maior que 35, e que avaliem, caso a caso, a opção de cirurgia para aqueles com IMC entre 30 e 35, e que não respondem aos tratamentos clínicos da doença, que incluem medicamentos e mudanças no estilo de vida. 
Estima-se que mais 400 mil britânicos portadores de diabetes tipo 2 poderiam receber a recomendação imediata para cirurgia devido ao IMC maior que 35, e que esse número saltaria para mais de 800 mil ao incluir aqueles com IMC maior que 30. 
Espera-se que somente uma parcela destes pacientes efetivamente será operada - algo em torno de 20 mil por ano. Atualmente são realizadas cerca de 8 mil cirurgias bariátricas por ano na Grã-Bretanha. 
O Instituto Nacional de Saúde está convencido de que conseguirá reduzir os custos com os cuidados com o diabetes, que representam cerca de 10% do total de gastos atuais do órgão. Entretanto, há duras críticas a essa decisão, incluindo dúvidas sobre o custo-benefício e o temor de que o sistema de saúde não dará conta de atender à demanda de cirurgias. Há quem defenda que o dinheiro seria melhor empregado em programas preventivos para redução de peso, que, por sua vez, tem custo-benefício questionável pois estão propensos a falhas em médio e longo prazo.
Não há dúvida de que a maioria dos pacientes obesos com diabetes tipo 2 que se submeterem a cirurgia bariátrica serão beneficiados. Por outro lado, questiona-se se cabe ao governo o financiamento deste tipo de tratamento para pacientes com obesidade leve. O caminho está na seleção criteriosa dos pacientes, para qualquer IMC, estabelecendo prioridades conforme a gravidade das comorbidades.
1. BBC - http://www.bbc.com/news/health-28246641
2. Fellici AC, Lambert G, Lima MM, Pareja JC, Rodovalho S, Chaim EA, Geloneze B. Surgical Treatment of Type 2 Diabetes in Subjects with Mild Obesity: Mechanisms Underlying Metabolic Improvements. Obes Surg. 2014 Aug 8. [Epub ahead of print]

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Senado analisa liberação do uso de inibidores de apetite. Maioria dos internautas é favorável, segundo enquete

INIBIDORES DE APETITE - O Senado Federal analisa o projeto de decreto legislativo (PDS 52/2014), que libera o uso de inibidores de apetite anfetamínicos. A proposta, de autoria do deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), susta a resolução RDC 52/2011 da Agência de Vigilância Sanitária – Anvisa, que dispõe sobre a proibição do uso das substâncias anfepramona, femproporex e mazindol, e também trata de medidas de controle de prescrição e distribuição de medicamentos que contenham sibutramina. O projeto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em abril deste ano.
Em enquete realizada na segunda quinzena de maio, o DataSenado, em parceria com a Agência Senado, o internauta foi convidado a se posicionar sobre a seguinte pergunta: “Em 2011, a Anvisa restringiu a comercialização de inibidores de apetite no Brasil. Você é a favor ou contra o projeto que libera o uso desses medicamentos (PDS 52/2014)?”. A maioria, 62%, afirmou ser favorável à tal liberação.

A análise do projeto pelo Senado foi adiada por um pedido de vista coletiva e deve retornar à pauta na próxima reunião da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

A proposta é defendida pela maioria dos senadores, mas a base governista pediu mais tempo para analisá-la. O projeto, já aprovado pela Câmara dos Deputados, é de autoria do deputado Beto Albuquerque (PSB-RS) e recebeu relatório favorável da senadora Lucia Vânia (PSDB-GO). Em sua avaliação, a Anvisa errou por fazer um decreto generalizado, com o intuito de evitar os abusos, sem ouvir os médicos.
Vários parlamentares se manifestaram lembrando que os inibidores de apetite são as únicas opções de pessoas que não podem esperar, por exemplo, por uma cirurgia bariátrica. O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) afirmou que, se não são ideais, os medicamentos são o que há de melhor em terapia farmacológica para tratamento da obesidade.
Ainda, foi considerada a possibilidade do surgimento de mercado ilegal desses remédios, o que causaria grandes danos à população.
- A proibição fecha a porta do tratamento e abre a porta para a morte. E a comunidade médica não foi consultada – lembrou ainda o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), presidente da CCJ.

Fonte: Senado Federal

APOIO DAS SOCIEDADES MÉDICAS - A Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade) sempre foi contra a suspensão da agência, destacando que, esses medicamentos, quando usados com o acompanhamento médico, são uma boa alternativa aos pacientes obesos.

Em entrevista à Thamires Andrade, do Portal Uol, a endocrinologista Maria Edna de Melo, diretora da Abeso, afirma que o problema não é o uso das substâncias, mas, sim, as doses exageradas que muitas pessoas tomavam sem qualquer tipo de acompanhamento. "Muitos compravam clandestinamente ou pegavam o remédio do amigo, pois a receita deles ficava retida nas farmácias exatamente para evitar o consumo desenfreado. Só que, ao invés de aumentar a fiscalização, a agência preferiu retirar a droga do mercado, o que afetou muito os pacientes com obesidade", avalia.

Ainda na reportagem do Uol, Maria Edna destaca que a opção aos endocrinologistas foi introduzir a sibutramina no tratamento. O problema é que não são todos os pacientes que respondem bem à medicação. "Muita gente voltou a ganhar peso, sem contar os que não podiam comprar os remédios mais caros, deixando o tratamento interrompido", relembra.

A endocrinologista lembrou que estudos provam que esses remédios, quando tomados na dose adequada e nos casos certos, não têm efeitos colaterais e auxiliam na mudança do comportamento alimentar. "Essa alteração não é fruto de ter força de vontade, mas são várias reações químicas cerebrais. Muita gente precisa do medicamento não só para comer pouco, mas para organizar essa nova rotina de alimentação. Cabe ao médico verificar se o paciente necessita disso e, em caso positivo, disponibilizar a dose adequada, pois não se sabe quando ele vai parar de tomar o remédio, já que a obesidade é uma doença crônica", ressaltou.

A Abeso também contesta a justificativa do presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, de que a suspensão dos inibidores de apetite atende a uma questão de saúde, em razão de risco de hipertensão pulmonar, hipertensão arterial e distúrbios psiquiátricos com o uso desses produtos. Tanto a Abeso quanto outras entidades médicas participaram de reuniões e colocaram todas as evidências disponíveis a favor dos remédios. "Eles foram irredutíveis, parecia que a proibição já estava decidida, pois não houve uma discussão científica sobre o tema", afirmou.

Leia matéria completa no UOL

domingo, 8 de junho de 2014

Dia Mundial do Meio Ambiente e a saúde cardiovascular

Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de maio) - Poluentes como o ozônio e partículas em suspensão no ar e até mudanças climáticas aumentam o risco não só de doenças pulmonares, mas também cardiovasculares.

A poluição do ar mata mais de 2 milhões de pessoas por ano. A mortalidade prematura associada à má qualidade do ar tende a se tornar o maior desafio ambiental do mundo, até mesmo superior ao de água e saneamento.

O trânsito mata - do coração
Os principais responsáveis por essas emissões são a indústria e o trânsito. Diversos estudos mostram que a tanto a poluição do ar como a poluição sonora e o estresse causados pelo trânsito favorecem a ocorrência de doenças cardiovasculares.

Leia, a seguir, uma perspectiva nacional do impacto do trânsito na saúde cardiovascular, da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Congestionamentos aumentam poluição que mata sete mil pessoas em São Paulo por ano

Coordenador do laboratório da USP diz que o maior problema são infartos e AVC induzidos pela má qualidade do ar

Da década de 1990 até 2006, a poluição foi cedendo em São Paulo, principalmente porque o material particulado (poeira) das fábricas se reduziu, mas, a partir de então, o aumento dos congestionamentos e o crescimento da frota de veículos fez que a poluição veicular fosse se agravando. Ela chegou a tal ponto que hoje sete mil pessoas morrem a cada ano em decorrência de doenças desencadeadas pela poluição, na Região Metropolitana, enquanto a cidade de São Paulo, sozinha, perde quatro mil vidas.

A informação é do professor de Patologia da USP e coordenador do Laboratório de Poluição Atmosférica Ambiental Paulo Saldiva. Ele conta que as dificuldades de trânsito e o aumento do preço dos imóveis “desindustrializaram” a cidade, com a transferência de milhares de fábricas para cidades próximas, o que melhorou a qualidade do ar.

Igualmente, a obrigatoriedade da venda de combustível com menos enxofre e a melhoria da qualidade dos catalizadores foram fatores positivos. Mas essas boas notícias foram ultrapassadas pelo efeito nefasto do aumento da frota e dos congestionamentos que fazem que cada veículo fique de motor ligado pelo menos mais uma hora por dia.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) comprovou que um em cinco casos de doença cardiovascular tem como causa a poluição de ar. A USP confirmou em testes com taxistas e agentes de trânsito que o fato de trabalharem na rua aumenta a pressão arterial e torna o sangue mais coagulável, o que leva ao incremento do risco de um problema vascular.

O que se pode fazer

Os cientistas dizem que a únicas medidas efetivamente eficientes para reduzir a poluição do ar seriam melhorar o transporte coletivo de baixa emissão e dificultar o uso do veículo individual. Como essas medidas são altamente impopulares, Saldiva acredita que ainda vai demorar para serem adotadas.

O que é possível fazer por enquanto é melhorar a alimentação como mecanismo de proteção:

• Aumentar a ingestão de frutas, verduras e legumes.
• Quando no automóvel, manter vidros fechados e ar condicionado ligado.
• Privilegiar o trabalho em casa, em vez de ir à fábrica ou ao escritório.

O Dia Mundial do Meio Ambiente está aí, 5 de junho, um bom motivo para mudança de hábitos. Conheça a seguir quais são os impactos da poluição no coração:

Os quatro efeitos 
O professor Saldiva lista os efeitos nocivos da poluição:

1. A exposição ao ar de São Paulo ao longo do dia (nas ruas) aumenta a pressão diastólica em 15 mm de mercúrio. Não é muito problema para quem tem 12 x 8, mas o risco dos hipertensos aumenta muito.

2. De forma subclínica, os fatores de coagulação se exacerbam, aumentando o risco de uma trombose ou de um AVC.

3. A poluição é arritmogênica; quem tem marca-passo, desfibrilador implantado ou tendência a arritmia pode ter uma crise de arritmia em decorrência da estimulação dos receptores vagais no pulmão.

4. A poluição do ar reduz a capacidade de vasodilatação, isto é, quando o organismo tenta aumentar o diâmetro dos vasos sanguíneos a reação não é tão eficaz como em uma pessoa que respira ar puro.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Cigarro eletrônico - Parte 2: "anatomia de um novo vício"

Extraído de matéria da Revista ÉPOCA (05 de maio de 2014).

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Cigarro eletrônico - Parte 1: "o que eles vendem como liberdade, na verdade é prisão!"


ociedade Brasileira de Cardiologia


Texto de Márcio Gonçalves de Sousa, coordenador do Comitê de Controle do Tabagismo da Sociedade Brasileira de Cardiologia - extraído do encarte do Jornal da SBC 141 (Abril de 2014).

Atualmente fumar tem sido segregado de nossa sociedade com base na confirmação de estudos que revelam a forte ligação do cigarro com inúmeras doenças, como infarto, derrames, vários tipos de cânceres e até o diabetes. A indústria do cigarro escondeu desde o início que sabia que o produto gerava dependência e se omitiu em revelar tais achados.
Agora tem procurado outros artifícios para recrutar novos fumantes como peças de reposição, pois sabemos que metade irá morrer em consequência do tabagismo. Uma das alternativas é o cigarro eletrônico. É muito bonito e elegante, idealizado justamente para seduzir e iniciar a dependência em jovens e adolescentes. O aparelho funciona à bateria e pode ser carregado em tomadas ou até mesmo em computadores e tablets via USB. Tudo muito moderno e chamativo.

O cigarro eletrônico simula o cigarro comum, gera fumaça quando se traga, um vapor de água é produzido e um cartucho interno libera a nicotina. Estudos têm mostrado a presença de metais pesados nos aparelhos, como estanho e sílica, além de substâncias tóxicas encontradas em líquidos anticongelamento. Assim, não existem estudos de segurança que permitam o seu uso. O fumante estará inalando novas substâncias que não sabemos ser mais aceleradoras de outros tipos de cânceres. 

As campanhas atuais dos eletrônicos vendem a imagem de liberdade, pois com as leis de restrição ao consumo do cigarro comum em ambientes fechados, a proposta agora é a migração para o eletrônico. 

A Anvisa proibiu sua comercialização e no Brasil é considerado contrabando. Devemos entender que ele NÃO é recomendado para tratamento de tabagismo, ou seja, utilizá-lo não significa que o fumante trocará o cigarro comum e, após, suspenderá o tabagismo. Não temos grandes estudos que comprovem isso. 

O que a indústria do tabaco quer é que o cigarro eletrônico entre no mercado como iniciação de novos clientes. Eles usam o marketing poderoso pela visão da liberdade, fumando em aviões, bares e boates, como meio de torná-los dependentes e, finalmente, presos a uma doença de difícil tratamento. 

Obesidade sem fronteiras

O aumento da obesidade é fenômeno bem conhecido nas últimas décadas, que avança principalmente em países pobres e em desenvolvimento. Apesar do ritmo de expansão da obesidade ter diminuído nos países desenvolvidos (e em alguns em desenvolvimento, como o Brasil), o avanço entre as crianças é alarmante.
Um estudo recente mostra que "a obesidade é um problema que atinge todo mundo, não importando qual é sua renda ou o lugar onde se vive", resume Christopher Murray, diretor do Instituto de Avaliação da Saúde da Universidade de Washington, que analisou dados sobre 188 países.  

Por muito tempo relegada aos países desenvolvidos, a epidemia de obesidade já atinge 2,1 bilhões de pessoas, quase 30% da população mundial - dos quais 62% estão nos países em desenvolvimento, segundo um estudo publicado na ultima semana (29/5).


Entre 1980 e 2013, a porcentagem de pessoas com sobrepeso ou obesidade passou de 28,8% para 36,9% nos homens e de 29,8% para 38% nas mulheres, segundo o estudo publicado na revista britânica The Lancet.

Prevalência de obesidade em homens a partir de 20 anos (2013)




Prevalência de obesidade em mulheres a partir de 20 anos (2013)


Mas o fenômeno ainda está longe de atingir os países da mesma forma: os Estados Unidos, o Reino Unido e a Austrália são os campeões de obesidade entre as nações mais ricas do mundo: mais de 60% de seus habitantes maiores de 20 anos são obesos ou têm sobrepeso.


Nos países em desenvolvimento, se a obesidade continua uma condição excepcional em alguns países da África como Burkina Faso ou Chade, outras nações do Oriente Médio, América Latina ou Oceania já ultrapassaram os países ocidentais.

- Obesidade infantil em crescimento -


Não somente há mais pessoas em sobrepeso, como essa condição aparece cada vez mais cedo. Entre 1980 e 2013, o número de crianças ou adolescentes obesos ou em sobrepeso no mundo aumentou 50%.


A condição atinge atualmente 22% das meninas e 24% dos meninos nos países desenvolvidos, e cerca de 13% das crianças dos dois sexos nos países em desenvolvimento.


Veja o artigo original na Revista The Lancet.

terça-feira, 3 de junho de 2014

O médico fora do peso

Interessante esta matéria (leia a seguir) sobre o preconceito em relação à obesidade, que é acentuado quando o medico é quem está acima do peso.
Os pacientes esperam que os médicos sejam bem apresentados, com boa saúde e sem vícios. Entretanto, os médicos também estão "(...) sujeitos às mesmas doenças que o resto da sociedade [inclusive a obesidade]. Perder peso é um problema extremamente difícil, é um desafio (...)."
O médico fora do peso - por Márcia Wirth
Publicada em 02 de junho de 2014 no Correio Popular (Campinas - SP).
Pacientes olham com desdém – secretamente ou não tão secretamente – para médicos que estão com sobrepeso ou obesos…  Sinceramente, não foi com surpresa que li os resultados do estudo The effect of physicians' body weight on patient attitudes: implications for physician selection, trust and adherence to medical advice publicado no International Journal of Obesity. As conclusões pungentes do estudo estão repercutindo, pois o excesso de peso cria nesses casos um entrave na relação médico-paciente.  Até pouco tempo atrás, era fácil para os médicos imaginarem que uma vez que colocassem o jaleco branco, estariam investidos de autoridade e os pacientes certamente ouviriam suas recomendações.Há muito me interesso pelo tema preconceito contra a obesidade e suas cruéis implicações psicológicas e sociais. E assim como as pessoas com excesso de peso são estigmatizadas em uma variedade de configurações pessoais e profissionais, os médicos com excesso de peso, segundo o estudo, são vistos como menos credíveis do que os médicos de "peso normal". Além disso, os pacientes são menos propensos a seguirem seus conselhos médicos.
Mas este estudo diz que o jaleco branco não blinda mais o médico! Este profissional precisa modificar a sua maneira de se comunicar, assumir que tem problemas para emagrecer e controlar o próprio peso, para que os pacientes possam se comunicar com ele de maneira verdadeira.
Muitas vezes, é preciso dar um tom confessional à consulta para não passar uma mensagem hipócrita: "eu também luto para perder peso e sei que é muito difícil. Médicos são seres humanos. Estamos sujeitos às mesmas doenças que o resto da sociedade. Perder peso é um problema extremamente difícil, é um desafio".
O preconceito contra as pessoas com excesso de peso é tão socialmente arraigado, que apesar de todo médico (teoricamente) ser capaz de tratar a obesidade, poucos são os que conseguem manter um diálogo franco sobre o tema com seus pacientes.
Por outro lado, é preciso compreender que os pacientes classificam os médicos com mais rigor: "se ele é um profissional de saúde não deveria estar lutando contra o aumento de peso", esse é um pensamento muito comum de muito pacientes.
Toda essa situação delicada dentro do consultório, essa rusga na relação médico-paciente, os resultados do estudo, o preconceito contra o obeso só reforça uma convicção antiga: os médicos precisam usar sua influência social para liderar um movimento social que encare o preconceito em relação às pessoas que estão acima do peso.
Essa história de comer menos, se exercitar mais e fornecer uma dieta pronta para todos não está funcionando. O médico precisa se certificar de que os pacientes compreendem perfeitamente os diversos fatores que contribuem para o excesso de peso, incluindo genética, composição dos alimentos, saciedade, dentre outros.
É preciso mudar o tom da conversa sobre a perda de peso para que o comportamento social em relação ao obeso – seja ele médico ou paciente – mude também.
Márcia Wirth – Jornalistapalestrante, consultora especializada em Health Care. Está à frente da MW-Consultoria de Comunicação & Marketing em Saúde

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Ministério da Saúde prorroga campanha de vacinação contra a gripe

GRIPE- Prevista para terminar nesta sexta-feira, 9, a campanha de vacinação contra a gripe foi prorrogada pelo Ministério da Saúde. Cada Estado e município definirá a nova data para o término da campanha. Em Campinas, a vacinação estará disponível até o dia 23 DE MAIO, segundo a Secretaria Municipal da Saúde.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

O animal mais mortal do mundo

Mais mortal que o próprio homem (acredite). Os mosquitos causam mais de 700 mil mortes no mundo todos os anos, transmitindo doenças fatais. Os dados foram apresentados por Bill Gates, que promoveu a MOSQUITO WEEK, na última semana, evento criado para conscientizar sobre o perigo causado pelos mosquitos.




Entre as doenças causadas por mosquitos, a malária é a que mais mata. Só em 2012, foram mais de 620 mil mortes e cerca de 207 milhões de casos. Os dados são da Organização Mundial da Saúde (OMS).
No mapa abaixo com dados da OMS, quanto mais escura é a área, maior é a quantidade de casos de malária ali registrados.



Outra doença causada por mosquitos é a dengue. Presente em cerca de 100 países, a dengue infecta de 50 milhões a 100 milhões de pessoas por ano - segundo levantamento da OMS.
No mapa a seguir, os pontos vermelhos no mapa sinalizam os casos de dengue registrados ao redor do mundo nos últimos três meses.



Assista o vídeo apresentado na Mosquito Week (em inglês):

Fonte: Revista Exame

terça-feira, 29 de abril de 2014

União terá de fornecer análogo de insulina a diabéticos em todo o País

O Ministério Público Federal conseguiu na Justiça obrigar a União a implantar protocolo clínico e viabilizar imediatamente no Sistema Único de Saúde (SUS) o acesso a análogos de insulina de longa e curta duração aos portadores de diabetes mellitus tipo 1 que apresentem quadro instável ou de difícil controle. Os análogos de insulina são versões mais modernas das insulinas atualmente fornecidas pelo SUS. 
Trata-se de um grande progresso, mas o ideal seria o acesso universal a estas medicações. A burocracia excluirá grande parte dos portadores de diabetes tipo 1 deste benefício, seja pelas regras ou pela dificuldade de acesso aos serviços especializados.

Veja abaixo os análogos de insulina que poderão entrar nos protocolos:
  • Insulinas de longa duração: detemir (Levemir) e glargina (Lantus)
  • Insulinas de curta duração, ultra-rápidas: aspart (Novorapid), glulisina (Apidra) e lispro (Humalog).

Para mais informações, assista ao vídeo no canal do CNJ no YouTube:

Campinas ultrapassa 17 mil casos de dengue em 2014

O número de casos registrados de dengue em Campinas desde o dia 1º de janeiro até 28 de abril é de 17.136. Foram 8.900 casos só em abril, o pior mês deste ano. Os dados apontam para uma diminuição no ritmo de aumento dos casos notificados.
Entre moradores de Campinas, quatro casos de morte seguem em investigação. Dois casos foram descartados e uma morte foi registrada (a mesma já divulgada anteriormente).
Fonte: Secretaria Municipal de Saúde de Campinas.

Infográfico (Portal G1 - globo.com):


terça-feira, 22 de abril de 2014

22 de Abril, DIA DA TERRA - A contaminação ambiental afeta também o sistema endócrino

A contaminação ambiental está 

Desreguladores endócrinos são substâncias que estão no meio ambiente e que interferem no sistema endócrino.

Esses desreguladores podem ser naturais ou sintéticos e essas substâncias se acumulam no meio ambiente e entram no nosso organismo por meio do ar, água, embalagens que acondicionam alimentos (principalmente compostos com plástico) e outros produtos usados no trabalho e em casa. Além disso, os desreguladores podem ter passagem pela placenta e pelo leite materno.

Alguns exemplos de desreguladores: fitoestrógenos, alguns pesticidas, ftalatos, metais pesados (arsênio, cádmio, mercúrio), medicamentos, bisfenol A (presente em certos tipos de plástico) e determinados produtos de beleza.

Estudos apontam esses desreguladores como fatores para o aumento da incidência de distúrbios endócrinos como a obesidade, o diabetes, doenças da tireóide, a precocidade sexual, a infertilidade e até mesmo as alterações do comportamento e outras doenças sem causas conhecidas.


quarta-feira, 16 de abril de 2014

Estudo indica que 3 de cada 10 crianças de 10 anos têm obesidade ou sobrepeso - Notícias - Saúde

http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/efe/2014/04/11/estudo-indica-que-3-de-cada-10-criancas-de-10-anos-tem-obesidade-ou-sobrepeso.htm


Marcelo Lima

Defenda-se contra a Dengue!

A dengue é extremamente debilitante, e ainda mais perigosa em idosos, crianças ou portadores de doenças crônicas, como o diabetes. É fundamental a orientação por serviços de saúde, que inclui hidratação vigorosa (2 a 3 litros de líquido por dia), não raro com necessidade de soro por via
 endovenosa.



Epidemia de dengue em Campinas este ano é uma das piores da história

A região de Campinas concentra 25% dos casos de dengue no Estado de SP, com mais de 5 mil casos até agora. Os pronto-atendimentos públicos e privados estão sobrecarregados, com aumento de 40% no número de atendimentos. Foram 173 casos graves, com um óbito confirmado em Campinas e outros 4 na região. Seis outros óbitos em Campinas estão sendo investigados. A Prefeitura iniciou uma operação de guerra para combater os focos do mosquito, com auxílio da Força Nacional do SUS e do Exército.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Vacina contra a Gripe 2014

A campanha de vacinação contra gripe será de 22 de abril até 09 de maio. A novidade este ano é a ampliação da faixa etária  para crianças de seis meses a menores de cinco anos. No ano passado, o público infantil foi de seis meses a menores de dois anos. O público-alvo também engloba pessoas com 60 anos ou mais, indígenas, presidiários, pacientes portadores de diversas doenças crônicas, incluindo o diabetes, gestantes, mulheres com até 45 dias após o parto,  e profissionais que trabalham nas unidades que oferecem a vacina. A vacina combate os vírus da gripe comum (H3N2 e B) e também o vírus influenza A (H1N1), da gripe suína.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Acordo deve reduzir sódio de requeijão, hambúrguer e embutidos

O termo assinado pelo governo e pelos fabricantes prevê redução de sódio em requeijão cremoso, sopa instantânea, sopa pronta para consumo e para cozimento, queijo muçarela, empanados, hambúrguer, presunto embutido, linguiça frescal, linguiça cozida a temperatura ambiente e mantida sob refrigeração, salsicha e mortadela.

Esse é o quarto acordo firmado entre o Executivo federal e os fabricantes de alimentos desde 2011 com o mesmo objetivo. Nos tratados anteriores, alimentos como pão de forma, macarrão instantâneo, batata frita, maionese, biscoito recheado, margarina, cereais matinais e temperos para massa e arroz também tiveram a quantidade de sódio reduzida.

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo diário de sódio deve ser de menos de dois gramas por dia, equivalente a uma colher de chá ou cinco gramas de sal. O sal, em quantidades maiores do que a recomendada, aumenta a pressão arterial, podendo alterar o ritmo cardíaco. Com o desequilíbrio, a pessoa corre mais riscos de sofrer enfarte e problemas circulatórios.

O consumo médio de sal pelo brasileiro é de 12 gramas diárias, mais do que o dobro sugerido pela OMS. Isso seria causado pelo hábito de colocar sal em alimentos processados e de comer frequentemente fora de casa.

O governo estima que, desde 2011, cerca de 11,3 mil toneladas de sódio deixaram de ser adicionadas aos alimentos que foram incluídos nos acordos firmados com a indústria alimentícia. Até 2020, o Executivo espera evitar a adição de 28,5 mil toneladas de sódio.

http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/11/governo-federal-faz-acordo-para-reduzir-sodio-em-grupo-de-alimentos.html

sábado, 25 de agosto de 2012

Botulismo: novos casos ligados a alimentos em conserva

A Vigilância Sanitária determinou a interdição cautelar do lote 1E0712 da mortadela da marca Estrela e do lote 300437 do milho verde em conserva da marca Quero. Com as interdições, os lotes não podem ser comercializados no Estado de São Paulo. A determinação da Vigilância Sanitária aconteceu após a notificação de quatro casos suspeitos de botulismo em Santa Fé do Sul, na região de São José do Rio Preto (SP).

O último registro da doença no Estado de São Paulo foi em 2009. Desde o ano de 1997, quando a doença passou a ser de notificação compulsória, o Estado de São Paulo registrou 22 casos, dos quais cinco mortes.

O botulismo é causado por uma bactéria (Clostridium botulinum) presente no solo, nas fezes humanas e de animais e em alimentos mal conservados. Ela cresce em ambientes sem oxigênio, como enlatados, em vidros e embalados a vácuo. As conservas de palmito são responsáveis por muitos dos casos no passado.

O período de incubação varia de algumas horas até oito dias. Sua duração está diretamente associada à quantidade de toxina liberada no organismo.

Os principais sintomas são visão dupla e embaçada, fotofobia (aversão à luz), ptose palpebral (queda da pálpebra), tonturas, boca seca, intestino preso e dificuldade para urinar.

À medida que a intoxicação evolui, o comprometimento progressivo do sistema nervoso se manifesta na dificuldade para engolir, falar e de locomoção. O mais grave de todos os sintomas do botulismo é a paralisia dos músculos respiratórios, que pode ser fatal.

Dicas:
- Fique atento a embalagens danificadas ou enferrujadas, que facilitam o crescimento da bactéria.
- Ferver os alimentos em conserva antes do consumo, como o palmito, é uma medida para destruir a toxina.

Curiosidade:
Apesar de letal, a toxina botulínica é usada em vários campos da Medicina, como, por exemplo, para reduzir movimentos musculares involuntários ou sudorese. Ela ficou famosa com o nome BOTOX, principalmente como anti-rugas.

Mais sobre botulismo: site do Drauzio Varella.