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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Cirurgia bariátrica é tratamento eficaz contra diabetes em pessoas com obesidade leve, diz estudo da UNICAMP

Estudo da UNICAMP mostra que a cirurgia bariátrica é eficaz como tratamento do diabetes tipo 2 em pessoas com grau leve de obesidade. O estudo foi conduzido no Laboratório de Investigação em Metabolismo e Diabetes (LIMED), do GASTROCENTRO/UNICAMP, sob coordenação do gastrocirurgião Prof Dr José Carlos Pareja e do endocrinologista Prof Dr Bruno Geloneze.
O artigo foi publicado na ultima semana (8 de agosto), na revista internacional Obesity Surgery.
A cirurgia bariátrica é indicada atualmente para o tratamento de obesidade grave, com índice de massa corporal (IMC) a partir de 40 kg/m2, ou de grau moderado (IMC 35-40) se associada a doenças, como o diabetes.
Observa-se, entre estes pacientes, que a cirurgia promove uma melhora do diabetes, tão marcante que muitos pacientes atingem remissão da doença, ou seja, apresentam níveis normais de açúcar (glicose) no sangue, sem necessitar mais de medicamentos orais ou insulina. 
Os mecanismos pelos quais a cirurgia bariátrica melhora o diabetes são, em grande parte, independentes da perda de peso. Portanto, a cirurgia vem sendo pesquisada como opção de tratamento do diabetes para pessoas com grau leve de obesidade (IMC 30-35).
Segundo o Dr Marcelo Lima [editor deste Blog], co-autor do estudo, endocrinologista e pesquisador do LIMED, esta é justamente a contribuição inédita desta nova pesquisa: a demonstração dos mecanismos pelos quais o diabetes melhora neste grupo de pacientes.
O estudo selecionou 36 pacientes com diabetes tipo 2, na maioria em uso de insulina, para a cirurgia bariátrica conhecida por bypass gástrico, que é a técnica mais utilizada no mundo todo. 
"Atingimos o controle do diabetes em 86% dos casos, com redução das medicações para diabetes; apenas um continuou necessitando insulina", comenta Dr Lima. "E um quarto dos pacientes atingiu a remissão do diabetes, até 2 anos após a operação", afirma. 
Isso é possível graças à recuperação da produção de insulina pelo pâncreas. Em parte, isso se deve ao aumento dos estímulos hormonais provenientes do próprio tubo digestivo, modificado pela cirurgia. Além disso, o organismo fica mais sensível à ação da insulina, principalmente pela redução de peso.

Técnica de bypass gástrico
Além do bypass gástrico, Dr Lima comenta que o LIMED/UNICAMP estuda uma outra técnica cirúrgica, com resultados ainda mais promissores. É a derivação biliodigestiva, conhecida como técnica de Scopinaro, desenvolvida na Itália. Comparada ao bypass, nesta técnica há pouca redução de estômago e um maior desvio do intestino. E as taxas de controle e remissão do diabetes são ainda maiores.

Técnica de Scopinaro

A cirurgia bariátrica deve ser encarada como uma alternativa terapêutica contra o diabetes tipo 2, independente do grau de obesidade. Todavia, a cirurgia em pacientes com obesidade leve ainda está em estudo e a  decisão pela operação deve ser criteriosa e individualizada, em geral reservada a pacientes que não atinjam controle suficiente com as terapias convencionais.

Acesse o artigo no site da Obesity Surgery:
http://link.springer.com/article/10.1007/s11695-014-1377-9

(Dê uma espiada na primeira página...)

Agradecimentos:
Agradeço aos colegas do LIMED/UNICAMP que participaram desta pesquisa comigo, em especial aos orientadores e mentores do estudo, os Professores Doutores José Carlos Pareja e Bruno Geloneze, e às pós-graduandas, autoras principais do estudo, Dra Ana Cláudia Fellici e Dra Giselle Lambert, além dos demais co-autores, Dra Sylka Rodovalho e o Prof Dr Élinton Chaim.


quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Nova Bomba de Insulina Promete Inovações Tecnológicas

A Roche está lançando no mercado brasileiro uma nova bomba de insulina ou SIC (Sistema de infusão de insulina).

Accu-Chek Combo é o nome mundial e a inovação é o acoplamento do monitor de glicemia (No Brasil o Accu-Chek Performa) com um controle remoto, que controla todas as funções da bomba (semelhante a atual Spirit). Neste "monitor-controle remoto", o paciente faz sua glicemia capilar normalmente e daí é que começam as novidades. A transferência de informações entre o controle remoto e a bomba é total e realizada pela tecnologia Bluetooth aumentando muito a segurança.

Transplante de fezes (!) melhora a sensibilidade à insulina

"Técnica inédita confirma o papel potencial da microbiota intestinal nos distúrbios glicêmicos e no metabolismo lipídico em obesos.'
'Não se assuste. É isso mesmo que você leu acima: pacientes obesos e com pré-diabetes melhoram a sensibilidade à insulina depois de transplante fecal com material obtido de doadores magros e saudáveis.'
'Estudos animais já haviam confirmado uma associação entre a obesidade e a microbiota intestinal: animais que receberam bactérias de fezes de camundongos obesos apresentaram um aumento significativamente maior da gordura corpórea total do que aqueles colonizados com a microbiota de camundongos magros."

Neurocirurgia para tratar diabetes?

Dr. Peter Janetta, um renomado neurocirurgião do Hospital Geral de Allegheny, em Pittsburgh (EUA), conduziu um pequeno estudo sugerindo que um procedimento realizado no cérebro de pacientes com diabetes tipo 2 pode determinar uma melhora no controle glicêmico.

O procedimento cirúrgico, chamado descompressão microvascular, é usado para doenças como vertigem e torcicolo espasmódico, e consite na descompressão da artéria afetada, com reposicionamento e colocação de uma placa de proteção.

Foram estudados 10 pacientes com diabetes tipo 2 e que apresentavam uma compressão arterial diagnosticada por ressonância magnética na região do bulbo cerebral.

O bulbo tem influência, entre outras coisas, no funcionamento do pâncreas - e consequentemente na produção de insulina. Mecanismos neurais controlam, em especial, a primeira fase de secreção insulínica e o eixo pâncreas-fígado-sistema nervoso autônomo.

Após um ano de seguimento, sem modificar a dieta, peso ou atividade física, 7 pacientes (70%) tiveram melhora importante no controle glicêmico com diminuição da medição antidiabética. No entanto, somente 1 paciente (10%) conseguiu ficar sem medicação.

Adaptado do site da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

 

Leia o artigo original (acesso aberto):

Jannetta P, Fletcher L, Grondziowski P, Casey K, Sekula R. Type 2 diabetes mellitus: A central nervous system etiology.  Surg Neurol Int 2010;1:31 (16 July 2010).

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Dados Britânicos Reforçam Necessidade de Individualizar Meta de Hemoglobina Glicada

Como foi observado no Estudo Accord, um novo estudo retrospectivo, baseado na rotina do serviços de saúde britânicos ("vida real"), uma meta de controle do diabetes tipo 2 muito rígida pode ser prejudicial para alguns pacientes, especialmente acima dos 60 anos ou com muito tempo de diabetes ou com complicações crônicas já instaladas, ou se houver risco de hipoglicemias graves.
Mas isso não significa que devemos relaxar com todos os pacientes: uma hemoglobina glicada menor que 7 ou 6,5% continua o alvo, principalmente nos primeiros anos da doença e na rpevenção de complicações, principlamente nos que podem ser acompanhados com segurança.

"A new retrospective cohort study in patients with type 2 diabetes has found that the lowest and highest glycated hemoglobin A1c (HbA1c) levels were associated with increased all-cause mortality and cardiac events. This U-shaped association showed that the lowest death and lowest event rates were seen at an HbA1c level of 7.5% (...) (published online January 27, 2010 in The Lancet)."

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Pesquisas com células-tronco para diabetes tipo 1 nos EUA tem parceria brasileira

"Cientistas da USP de Ribeirão Preto vão coordenar um estudo sobre transplante de células-tronco para o tratamento do diabetes tipo 1, na Northwestern University, de Chicago, nos Estados Unidos. A Universidade é um dos mais importantes centros de estudos científicos do mundo. A técnica brasileira foi desenvolvida por pesquisadores do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e tem como objetivo o controle do diabetes sem a necessidade de insulina."
Saiba mais: SBEM

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Hemoglobina glicada e diagnóstico de diabetes - cautela

O Dr Pimazoni comenta, no site da SBD, as recomendações sobre o uso dos níveis de hemoglobina glicada para o diagnóstico de diabetes e pré-diabetes, pedindo cautela em função de possíveis limitações da técnica e da publicação de valores de corte alternativos em janeiro de 2010 na revista Diabetes Care.

Tecido adiposo marrom comentado pelo Dr Ronald Kahn - Joslin Diabetes Center

Pensava-se que o tecido adiposo marrom era escasso após a primeira infância em seres humanos, mas importantes descobertas de 2009 provaram sua importância no metabolismo de adultos.
A "gordura marrom" , ao contrário da branca, não tem grande capacidade de armazenamento, e metaboliza os lipídios para produzir calor (termogênese).
Assista oa vídeo do Joslin Diabetes Center, com o Dr Ronald Kahn.

Pâncreas Artificial - últimos avanços

Um artigo publicado na revista Lancet hoje mostrou eficácia de um software que integra um monitor contínuo de glicemia (um sensor com um catéter no subcutâneo) a uma bomba de infusão de insulina em crianças com diabetes tipo 1.
O software ajusta automaticamente a infusão de insulina conforme as medições de glicemia, usando uma tecnologia que é compatível com os aparelhos atuais.
O sistema manteve 80% das glicemias noturnas dentro do alvo, evitando hipoglicemias.
Os resultados não podem ser extrapolados para as oscilações do dia-a-dia, em resposta às refeições, mas dá esperança de que um dia esta capacidade seja alcançada.
Leia as noticias: Medscape, NY Times.
Saiba mais sobre o Artificial Pancreas Project.