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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Governo britânico amplia oferta de cirurgia bariátrica a diabéticos com obesidade leve

O governo britânico pretende estender a possibilidade de cirurgia bariátrica a pacientes portadores de diabetes tipo 2 com obesidade leve, ou seja, com índice de massa corporal (IMC) entre 30 e 35 (1). 
Atualmente, o sistema público de saúde da Grã-Bretanha oferece a cirurgia a ou com obesidade moderada (IMC entre 35 e 40) que tenham alguma doença grave associada ou a pacientes com obesidade grave (IMC maior do que 40). 
Há muito tempo se sabe que o diabetes melhora com a cirurgia bariátrica em pacientes com IMC maior que 35. Nos últimos anos, novos estudos mostram que a cirurgia bariátrica é eficaz também no tratamento do diabetes em pacientes com IMC entre 30 e 35. Entre estes estudos se inclui uma pesquisa de nosso laboratório na UNICAMP, publicada na semana passada (2).
O Instituto Nacional de Saúde e Cuidados de Excelência da Grã-Bretanha (NICE, na sigla em inglês) tem a intenção de oferecer a cirurgia bariátrica a um maior número de pacientes com diabetes tipo 2. As novas regras recomendam que os médicos britânicos proponham a cirurgia bariátrica para todos aqueles com IMC maior que 35, e que avaliem, caso a caso, a opção de cirurgia para aqueles com IMC entre 30 e 35, e que não respondem aos tratamentos clínicos da doença, que incluem medicamentos e mudanças no estilo de vida. 
Estima-se que mais 400 mil britânicos portadores de diabetes tipo 2 poderiam receber a recomendação imediata para cirurgia devido ao IMC maior que 35, e que esse número saltaria para mais de 800 mil ao incluir aqueles com IMC maior que 30. 
Espera-se que somente uma parcela destes pacientes efetivamente será operada - algo em torno de 20 mil por ano. Atualmente são realizadas cerca de 8 mil cirurgias bariátricas por ano na Grã-Bretanha. 
O Instituto Nacional de Saúde está convencido de que conseguirá reduzir os custos com os cuidados com o diabetes, que representam cerca de 10% do total de gastos atuais do órgão. Entretanto, há duras críticas a essa decisão, incluindo dúvidas sobre o custo-benefício e o temor de que o sistema de saúde não dará conta de atender à demanda de cirurgias. Há quem defenda que o dinheiro seria melhor empregado em programas preventivos para redução de peso, que, por sua vez, tem custo-benefício questionável pois estão propensos a falhas em médio e longo prazo.
Não há dúvida de que a maioria dos pacientes obesos com diabetes tipo 2 que se submeterem a cirurgia bariátrica serão beneficiados. Por outro lado, questiona-se se cabe ao governo o financiamento deste tipo de tratamento para pacientes com obesidade leve. O caminho está na seleção criteriosa dos pacientes, para qualquer IMC, estabelecendo prioridades conforme a gravidade das comorbidades.
1. BBC - http://www.bbc.com/news/health-28246641
2. Fellici AC, Lambert G, Lima MM, Pareja JC, Rodovalho S, Chaim EA, Geloneze B. Surgical Treatment of Type 2 Diabetes in Subjects with Mild Obesity: Mechanisms Underlying Metabolic Improvements. Obes Surg. 2014 Aug 8. [Epub ahead of print]

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Cirurgia bariátrica é tratamento eficaz contra diabetes em pessoas com obesidade leve, diz estudo da UNICAMP

Estudo da UNICAMP mostra que a cirurgia bariátrica é eficaz como tratamento do diabetes tipo 2 em pessoas com grau leve de obesidade. O estudo foi conduzido no Laboratório de Investigação em Metabolismo e Diabetes (LIMED), do GASTROCENTRO/UNICAMP, sob coordenação do gastrocirurgião Prof Dr José Carlos Pareja e do endocrinologista Prof Dr Bruno Geloneze.
O artigo foi publicado na ultima semana (8 de agosto), na revista internacional Obesity Surgery.
A cirurgia bariátrica é indicada atualmente para o tratamento de obesidade grave, com índice de massa corporal (IMC) a partir de 40 kg/m2, ou de grau moderado (IMC 35-40) se associada a doenças, como o diabetes.
Observa-se, entre estes pacientes, que a cirurgia promove uma melhora do diabetes, tão marcante que muitos pacientes atingem remissão da doença, ou seja, apresentam níveis normais de açúcar (glicose) no sangue, sem necessitar mais de medicamentos orais ou insulina. 
Os mecanismos pelos quais a cirurgia bariátrica melhora o diabetes são, em grande parte, independentes da perda de peso. Portanto, a cirurgia vem sendo pesquisada como opção de tratamento do diabetes para pessoas com grau leve de obesidade (IMC 30-35).
Segundo o Dr Marcelo Lima [editor deste Blog], co-autor do estudo, endocrinologista e pesquisador do LIMED, esta é justamente a contribuição inédita desta nova pesquisa: a demonstração dos mecanismos pelos quais o diabetes melhora neste grupo de pacientes.
O estudo selecionou 36 pacientes com diabetes tipo 2, na maioria em uso de insulina, para a cirurgia bariátrica conhecida por bypass gástrico, que é a técnica mais utilizada no mundo todo. 
"Atingimos o controle do diabetes em 86% dos casos, com redução das medicações para diabetes; apenas um continuou necessitando insulina", comenta Dr Lima. "E um quarto dos pacientes atingiu a remissão do diabetes, até 2 anos após a operação", afirma. 
Isso é possível graças à recuperação da produção de insulina pelo pâncreas. Em parte, isso se deve ao aumento dos estímulos hormonais provenientes do próprio tubo digestivo, modificado pela cirurgia. Além disso, o organismo fica mais sensível à ação da insulina, principalmente pela redução de peso.

Técnica de bypass gástrico
Além do bypass gástrico, Dr Lima comenta que o LIMED/UNICAMP estuda uma outra técnica cirúrgica, com resultados ainda mais promissores. É a derivação biliodigestiva, conhecida como técnica de Scopinaro, desenvolvida na Itália. Comparada ao bypass, nesta técnica há pouca redução de estômago e um maior desvio do intestino. E as taxas de controle e remissão do diabetes são ainda maiores.

Técnica de Scopinaro

A cirurgia bariátrica deve ser encarada como uma alternativa terapêutica contra o diabetes tipo 2, independente do grau de obesidade. Todavia, a cirurgia em pacientes com obesidade leve ainda está em estudo e a  decisão pela operação deve ser criteriosa e individualizada, em geral reservada a pacientes que não atinjam controle suficiente com as terapias convencionais.

Acesse o artigo no site da Obesity Surgery:
http://link.springer.com/article/10.1007/s11695-014-1377-9

(Dê uma espiada na primeira página...)

Agradecimentos:
Agradeço aos colegas do LIMED/UNICAMP que participaram desta pesquisa comigo, em especial aos orientadores e mentores do estudo, os Professores Doutores José Carlos Pareja e Bruno Geloneze, e às pós-graduandas, autoras principais do estudo, Dra Ana Cláudia Fellici e Dra Giselle Lambert, além dos demais co-autores, Dra Sylka Rodovalho e o Prof Dr Élinton Chaim.


quarta-feira, 2 de março de 2011

2nd World Congress on Interventional Therapies For Type 2 Diabetes

Fonte: SBD

Um dos pontos a serem abordados durante o congresso serão os mecanismos de conhecimentos decorrentes da Cirurgia Bariátrica/ Metabólica, apontando novos tratamentos para o portador de diabetes.


O congresso é organizado em parceria com a Associação Americana de Diabetes e recebeu o aval científico de mais de 40 nacionais e internacionais sociedades científicas. É importante salientar que os sócios da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), poderão fazer a inscrição com desconto.

Confira outros destaques do Congresso:
- Painel de discussão sobre o papel do sistema gastrointestinal, na patogênese da diabetes e obesidade. Uma revisão crítica do conhecimento atual nesta área e do possível papel do intestino na etiologia dessas patologias serão realizadas por alguns dos mais conceituados especialistas internacionais.

- O Congresso encerrará em 30 de março com a apresentação de um resumo que servirá de base para "Livro Branco" sobre terapias intervencionistas para Diabetes tipo 2.

Data: 28 à 30 de Março de 2011
Local: Hilton, New York – USA
Organização: Weill Cornell Medical College, o New York Presbyterian Hospital e da Fundação de Lorenzini

Informações: info@lorenzinifoundation.org
Para maiores informações, entre no site do congressso: clique aqui

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Estagio Atual do Tratamento Cirurgico do Diabetes tipo 2

Notícia publicada em: 18.01.2011
Autor: Professor Perseu Seixas de Carvalho

Veja este excelente artigo do Professor Perseu Seixas de Carvalho, Colaborador Cientifico do Portal elomedico:

O Diabetes do tipo 2 é uma doença extremamente prevalente e vem aumentando de forma alarmante em todo o mundo, constituindo-se em uma verdadeira epidemia.
Por conta de sua extrema morbi-mortalidade, principalmente relacionada com as mortes por causa cardio-vascular, além das complicações renais, oftálmicas e neurológicas o diabetes tipo 2 tem se tornado uma enorme fonte de gastos para os sistemas de saúde, além das implicações sociais, pessoais e familiares, já que vem acometendo e reduzindo a expectativa de vida de indivíduos de faixa etária relativamente jovem e ainda economicamente produtiva.

Em termos de fisiopatogenia a doença se baseia na presença de uma resistência periférica à insulina, na incapacidade das celulas pancreáticas produtoras de insulina em compensar esta resistência e em algumas outras condições como um defeito na secreção de alguns peptídeos gastrintestinais que atuam no pâncreas estimulando a secreção de insulina, bloqueando a secreção do glucagon e provavelmente interferindo na neo-formação e apoptose das células beta, insulino-secretoras.

Uma série de medicamentos anti-diabeticos, orais e injetáveis, estão agora disponíveis para o tratamento da doença. Entretanto, ainda assim, existem uma serie de dificuldades no controle adequado da mesma, e até nos países mais desenvolvidos o numero de pacientes que atingem os parâmetros adequados de controle é absolutamente decepcionante.

Em 1995, um cirurgião norte americano, Walter Pories, publicou um trabalho com um titulo desafiador: Quem poderia imaginar? Uma cirurgia prova ser a mais efetiva terapia para o diabetes mellitus do adulto. Esta publicação derivou da observação do cirurgião sobre 146 pacientes diabéticos tipo 2, obesos mórbidos, que haviam sido, entre outros tantos pacientes de sua série, submetidos à cirurgia bariátrica pela técnica da gastroplastia com by pass intestinal em Y de Roux – conhecida como cirurgia de Fobi-Capella. Nos 146 pacientes diabéticos foi observada uma normalização dos níveis glicêmicos, na ausência de qualquer medicação, em cerca de 121 individuos (83%). Logo a seguir, uma serie de publicações de diversos cirurgiões mostraram resultados semelhantes ou até melhores que a publicação pioneira.
Isto desencadeou uma série de estudos e polemicas, principalmente com a observação de que muitos pacientes melhoravam seus níveis glicêmicos quase que imediatamente à cirurgia, antes que a perda de peso fosse sequer iniciada, o que levou à conclusão que fatores independentes da perda de peso estariam envolvidos na melhora. Daí a questionar se os diabéticos não obesos poderiam ser beneficiados, foi um passo. Desta forma, atualmente, uma enorme discussão se desenrola em torno das seguintes questões:
1- Qual o ponto de corte – IMC – adequado para indicar a cirurgia num DM2?
2- Qual o melhor tipo de cirurgia?
3- A cirurgia é uma opção melhor que o tratamento clínico?
4- O que ocorre após a cirurgia: cura? remissão? ou controle?
Em resolução nº 1942/2010, publicada no Diario Oficial da União – DOU – de 12 de fevereiro de 2010, seção I p. 72, o Conselho Federal de Medicina – CFM – normatiza as indicações e procedimentos cirúrgicos aceitos para tratamento da obesidade e suas comorbidezes, incluindo o diabetes tipo 2.
Os procedimentos aceitos são:
• A) RESTRITIVOS
• 1- BALÃO INTRAGÁSTRICO
• 2- GASTROPLASTIA VERTICAL BANDADA OU CIRURGIA DE MASON
• 3- BANDA GÁSTRICA AJUSTÁVEL
• 4- GASTRECTOMIA VERTICAL

• B) CIRURGIAS DISABSORTIVAS
• Essas cirurgias, derivação jejuno-ileal e suas variantes de atuação puramente no intestino delgado, ESTÃO PROSCRITAS em vista da alta incidência de complicações metabólicas e nutricionais a longo prazo. PELO EXPOSTO, NÃO MAIS DEVEM SER REALIZADAS.

• C) CIRURGIAS MISTAS
• 1- CIRURGIAS MISTAS COM MAIOR COMPONENTE RESTRITIVO
• Esse grupo de cirurgias compreende as diversas modalidades de derivação gástrica com reconstituição do trânsito intestinal em Y de Roux.
• CIRURGIA REGULAMENTADA: cirurgia de gastroplastia com reconstituição em Y de Roux.

• 2- CIRURGIAS MISTAS COM MAIOR COMPONENTE DISABSORTIVO
• CIRURGIAS REGULAMENTADAS: a) cirurgia de derivação bílio-pancreática com gastrectomia horizontal (cirurgia de Scopinaro)
b) cirurgia de derivação bílio-pancreátrica com gastrectomia vertical e preservação do piloro (cirurgia de duodenal switch).

Em relação às indicações, a posição do CFM se manteve inalterada em relação à resolução anterior, de 2005, conforme se vê no texto abaixo:
• INDICAÇÕES GERAIS
• Pacientes com Índice de Massa Corpórea (IMC) acima de 40 kg/m2.
• Pacientes com IMC maior que 35 kg/m2 e afetado por comorbidezes (doenças agravadas pela obesidade e que melhoram quando a mesma é tratada de forma eficaz) que ameacem a vida, tais como diabetes tipo 2, apneia do sono, hipertensão arterial, dislipidemia, doença coronariana, osteo-artrites e outras.

Desta forma, o CFM não reduziu o IMC para os portadores de diabetes nem considerou como aceitas as cirurgias tipo Exclusão duodenal, interposição ileal e outras que vem sendo propostas. A posição se assemelha à da American Diabetes Association – ADA – e do Instituto Nacional de Saude do Reino Unido – NIHCE:
• IMC > 35
• Na ausência de controle adequado após tentativas de tratamento farmacológico e MEV enfatizando a necessidade de seguimento permanente e da realização de estudos bem desenhados que possam comparar a cirurgia bariatrica com tratamentos não cirurgicos.
Em março de 2007 um grupo de cerca de 53 profissionais, endocrinologistas, diabetologistas, cirurgiões e pesquisadores de área básica, reuniram-se em Roma, Itália para uma conferencia de consenso. O evento foi chamado 2007 Diabetes Surgery Summit e tirou algumas posições, considerando como consenso o que tivesse mais de 70% de aprovação entre os presentes:

• 1- Todas as operações bariatricas melhoram o DM2, entretanto, só algumas delas apresentam os critérios para defini-las como operações anti-diabéticas (100%).
• 2- Modificações anatomicas de várias regiões do trato GI parecem contribuir para a melhora do DM2 através de distintos mecanismos fisiológicos (83%).
• 3- O bypass GI pode melhorar o DM2 por mecanismos que estão além da mudança na ingestão alimentar e do peso corporal (98%).


• 4- A cirurgia GI pode ser apropriada para tratamento do DM2 em pacientes que sejam candidatos a operação com IMC entre 30 e 35 e que estejam inadequadamente controlados pela terapia medicamentosa e mudanças de estilo de vida(82%)
• 5- A colaboração entre endocrinologistas, cirurgiões e investigadores de ciencias básicas deveria ser encorajada para facilitar o entendimento dos mecanismos pelos quais o trato GI regula o metabolismo, e para permitir o uso desses mecanismos para melhora do DM2(100%)

Por outro lado, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariatrica e Metabólica, durante o 1º Congresso Panamericano de Cirurgia do Diabetes Tipo 2, em 16 de novembro de 2009, definiu sua posição em relação a situação, com as conclusões abaixo, considerando consenso o que obtivesse mais de 75% de aprovação.

1 – Cirurgia gastrointestinal (Derivação Gastrojejunal em Y de Roux, Banda Gástrica Ajustável e Derivações Biliopancreaticas) DEVEM ser consideradas nos algoritmos de tratamento de diabéticos com IMC maior ou igual a 35 kg/m2, que não são bem controlados com modificações de estilo de vida e tratamento clínico

Alternativas cirúrgicas PODEM ser consideradas como opções adequadas para tratar diabéticos tipo 2 não controlados com IMCs entre 30-35 kg/m2. Nesta população a DGJRY parece ser até o momento a opção mais adequada.

a) SIM ------------------------------ 97%
b) NÃO ------------------------------ 3%


Aqui sem dúvida vai uma crítica aos algoritmos das Sociedades de Diabetes nacionais e internacionais, que preferem ignorar a opção cirúrgica e sequer a mencionam, preferindo tomar posições discutíveis, na defesa de medicamentos que logo se apresentam de segurança no mínimo duvidosa e são até mesmo retirados do mercado.

2) Embora procedimentos "novos", como a gastrectomia vertical, exclusão duodenal, transposição ileal e procedimentos endoluminares, demonstrem resultados PROMISSORES para o tratamento do diabetes tipo2 em estudos clínicos iniciais, eles devem NO MOMENTO SEREM REALIZADOS SOMENTE EM PROTOCOLOS APROVADOS POR COMITÊS DE ÉTICA EM PESQUISA LOCAIS E, SE NECESSÁRIO, NACIONAL.

a) sIM ------------------------------------ 88%
b) NÃO ----------------------------------- 12%

Posição semelhante ao do CFM.
3) Estudos randomizados e controlados são encorajados com o objetivo de comprovar utilidade de operações sobre o trato gastrointestinal para tratar o DM tipo 2.
a) SIM ------------------------------------- 94%
b) NÃO ------------------------------------ 6%


4) Pesquisas em diabéticos com IMCs abaixo de 30 kg/m2 são prioritárias.
a) SIM --------------------------------------------------- 84%
b) NÃO --------------------------------------------------- 16%

A maior critica em relação ao tratamento cirúrgico para o DM2 é que os estudos são na sua imensa maioria, retrospectivos. Poucos estudos prospectivos existem. Um dos poucos foi feito pelo grupo da Unicamp, realizando a cirurgia denominada exclusão duodenal, proposta pelo cirurgião italiano Francisco Rubino, que a realizou em ratos Goto Kazizaki, ratos magros, geneticamente diabéticos, obtendo remissão do diabetes.
O grupo da Unicamp realizou a cirurgia em cerca de 17 pacientes com DM2 e com IMC entre 25 e 30, comparando com um grupo pareado e tratado clinicamente. A conclusão do estudo foi a seguinte:

PARA IMC < 30 KG/M2 – REVERSÃO OU CURA – ZERO
50% RETORNARAM PARA INSULINA APÓS UM ANO DE FOLLOW-UP
50% PERMANECEM MAL CONTROLADOS COM ANTIDIABETICOS ORAIS.
NENHUM PACIENTE ALCANÇOU HEMOGLOBINA GLICADA ABAIXO DE 7% APÓS A CIRURGIA
 
[OBS. DO BLOGUEIRO: SOU COLABORADOR DESTE ESTUDO DA UNICAMP E ESTES RESULTADOS SE REFEREM ESPECIFICAMENTE A ESTA TÉCNICA CIRÚRGICA EXPERIMENTAL, QUE NÃO FOI MAIS APLICADA DEPOIS DESSES RESULTADOS. ATUALMENTE, SÃO UTILIZADAS A GASTROPLASTIA COM RECONSTRUÇÃO EM Y DE ROUX ("BYPASS GÁSTRICO")  E A DERIVAÇÃO BILIOPANCREÁTICA DE SCOPINARO, COM RESULTADOS BASTANTE POSITIVOS, ESPECIALMENTE COM A ÚLTIMA ]

Por outro lado indicações cirúrgicas em casos de diabetes tipo 2 analisados de forma inadequada podem levar a resultados insatisfatórios conforme chama a atenção artigo recentemente publicado:

From bariatric to metabolic surgery in non-obese subjects: time for some caution

• LADA (Late Autoimunne Diabetes of Adult) responde por cerca de 10% dos casos de diabetes entre 35 e 55 anos deidade. Pode eclodir em indivíduos com peso normal, sobrepeso ou obesidade.
• A falência de células beta, embora de forma lenta, é progressiva e a grande maioria evolui para insulinoterapia.
• As cirurgias bariátricas tem eficácia inadequada nesta forma de DM.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Recomendações para o tratamento cirúrgico do diabetes tipo 2

Diabetes Surgery Summit (DSS) Consensus Conference lançou, em dezembro de 2009, direcionamentos para o tratamento do diabetes tipo 2 através de cirurgias do aparelho digestivo.
Em resumo:

"In acceptable surgical candidates with a BMI of 35 kg/m2 or more whose disease is inadequately controlled by lifestyle and medical therapy, gastrointestinal surgery, such as RYGB, laparoscopic adjustable gastric banding, or biliopancreatic diversion, should be considered for the treatment of T2DM (level of evidence, A)."

"In suitable surgical candidates with mild to moderate obesity (BMI 30 - 35 kg/m2), a surgical approach may also be appropriate as a nonprimary option to treat inadequately controlled T2DM (level of evidence, B). RYGB may be an appropriate surgical option to treat diabetes in these patients (level of evidence, C)."

"In early clinical studies, novel gastrointestinal surgical techniques (eg, duodenal-jejunal bypass, ileal interposition, sleeve gastrectomy, and endoluminal sleeves) have shown promising results for the treatment of T2DM. At present, however, they should be used only in the context of institutional review board–approved and registered trials."
 
"Important research priorities include identifying new and more appropriate parameters for surgical indications, defining indications for surgery in less obese or overweight patients, and studying the mechanisms of action in gastrointestinal metabolic surgery."

Um ano antes (dezembro de 2008), o Conselho Federal de Medicina e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia lançaram seu posicionamento. A recomendação é limitar a cirurgia para IMC > 35, usando as técnicas consagradas, até que surjam novas evidências para IMC menor que este. Novas técnicas deveriam se restringir a pesquisas acadêmicas.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Por que não optar pelas "novas" técnicas de cirurgia bariátrica?

Os pacientes ficam curiosos sobre as "novas" técnicas de cirurgia bariátrica (para obesidade ou diabetes).
Tem uma "do intestino", ou que "não corta o estômago", feita não sei onde... Outra que "puxa o intestino de lá e põe acolá", que ficou famosa... Tem a que "só põe um anel"; aquela "sem corte, na qual se põe um balão dentro do estômago"; para aumentar a dúvida, pode-se escolher "um corte no meio da barriga" ou "só com uns furinhos".
A ansiedade por vencer a obesidade ou o diabetes é grande, vive-se a esperança de um tratamento que resolva o problema de uma vez.
Por outro lado, há um preço a pagar: existem efeitos colaterais, que em uma minoria dos casos superam os benefícios. Há gente que vá muito bem depois da cirurgia, mas há uma minoria que não fica feliz.
Afinal, o paciente não pode levar mais e pagar menos? Menos efeitos colaterais, menos privação de comida, menos cortes, menos manipulação... Uma cirurgia mais "moderna" ou até "revolucionária", ou mais promessa de cura?
As operações clássicas, o bypass gástrico com anel (de Fobi-Capella) e a derivação biliodigestiva (por ex., de Scopinaro) continuam a ser a maior garantia de sucesso em longo prazo, apesar dos eventuais efeitos colaterais.
Técnicas que "mexem só no estômago" ou "só no intestino" em geral tem grande chance de recuperação de peso e de recorrência do diabetes... Algumas dessas, como o anel gástrico ajustável, são aceitas pela comunidade médica por haver evidência suficiente para seu uso, apesar das limitações. O balão intra-gástrico é outro exemplo, mas é um tratamento não-cirúrgico e temporário (deixado dentro do estomâgo no máximo 6 meses) e por isso serve como preparo para a cirurgia bariátrica. 
Alguns médicos mostram resultados "excelentes" com técnicas que "só são feitas por eles" - a propaganda deles é isenta ou esconde interesses comerciais? Outros cirurgiões não as fazem por que não há evidência de que sejam melhores. Em alguns casos, o procedimento "novo" precisa de "aprimoramentos" para ficar melhor - e mais parecido com as operações clássicas...
Novas cirurgias, ou a indicação para pessoas com pouco excesso de peso, precisam de validação no meio acadêmico e um respaldo de comitês de ética médica; em geral, surgem nas universidades, como a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com critérios de seleção objetivos.
Enquanto isso, se você precisar de uma cirurgia para obesidade ou diabetes, pese os benefícios e o preço (riscos) a pagar. O objetivo estético não vale a pena mas doenças graves podem valer. Neste caso, se vai ser "cortar a barriga" (cirurgia aberta) ou "com furinhos" (videolaparoscópica) será um detalhe.