Mostrando postagens com marcador política de saúde. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador política de saúde. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Governo britânico amplia oferta de cirurgia bariátrica a diabéticos com obesidade leve

O governo britânico pretende estender a possibilidade de cirurgia bariátrica a pacientes portadores de diabetes tipo 2 com obesidade leve, ou seja, com índice de massa corporal (IMC) entre 30 e 35 (1). 
Atualmente, o sistema público de saúde da Grã-Bretanha oferece a cirurgia a ou com obesidade moderada (IMC entre 35 e 40) que tenham alguma doença grave associada ou a pacientes com obesidade grave (IMC maior do que 40). 
Há muito tempo se sabe que o diabetes melhora com a cirurgia bariátrica em pacientes com IMC maior que 35. Nos últimos anos, novos estudos mostram que a cirurgia bariátrica é eficaz também no tratamento do diabetes em pacientes com IMC entre 30 e 35. Entre estes estudos se inclui uma pesquisa de nosso laboratório na UNICAMP, publicada na semana passada (2).
O Instituto Nacional de Saúde e Cuidados de Excelência da Grã-Bretanha (NICE, na sigla em inglês) tem a intenção de oferecer a cirurgia bariátrica a um maior número de pacientes com diabetes tipo 2. As novas regras recomendam que os médicos britânicos proponham a cirurgia bariátrica para todos aqueles com IMC maior que 35, e que avaliem, caso a caso, a opção de cirurgia para aqueles com IMC entre 30 e 35, e que não respondem aos tratamentos clínicos da doença, que incluem medicamentos e mudanças no estilo de vida. 
Estima-se que mais 400 mil britânicos portadores de diabetes tipo 2 poderiam receber a recomendação imediata para cirurgia devido ao IMC maior que 35, e que esse número saltaria para mais de 800 mil ao incluir aqueles com IMC maior que 30. 
Espera-se que somente uma parcela destes pacientes efetivamente será operada - algo em torno de 20 mil por ano. Atualmente são realizadas cerca de 8 mil cirurgias bariátricas por ano na Grã-Bretanha. 
O Instituto Nacional de Saúde está convencido de que conseguirá reduzir os custos com os cuidados com o diabetes, que representam cerca de 10% do total de gastos atuais do órgão. Entretanto, há duras críticas a essa decisão, incluindo dúvidas sobre o custo-benefício e o temor de que o sistema de saúde não dará conta de atender à demanda de cirurgias. Há quem defenda que o dinheiro seria melhor empregado em programas preventivos para redução de peso, que, por sua vez, tem custo-benefício questionável pois estão propensos a falhas em médio e longo prazo.
Não há dúvida de que a maioria dos pacientes obesos com diabetes tipo 2 que se submeterem a cirurgia bariátrica serão beneficiados. Por outro lado, questiona-se se cabe ao governo o financiamento deste tipo de tratamento para pacientes com obesidade leve. O caminho está na seleção criteriosa dos pacientes, para qualquer IMC, estabelecendo prioridades conforme a gravidade das comorbidades.
1. BBC - http://www.bbc.com/news/health-28246641
2. Fellici AC, Lambert G, Lima MM, Pareja JC, Rodovalho S, Chaim EA, Geloneze B. Surgical Treatment of Type 2 Diabetes in Subjects with Mild Obesity: Mechanisms Underlying Metabolic Improvements. Obes Surg. 2014 Aug 8. [Epub ahead of print]

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Senado analisa liberação do uso de inibidores de apetite. Maioria dos internautas é favorável, segundo enquete

INIBIDORES DE APETITE - O Senado Federal analisa o projeto de decreto legislativo (PDS 52/2014), que libera o uso de inibidores de apetite anfetamínicos. A proposta, de autoria do deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), susta a resolução RDC 52/2011 da Agência de Vigilância Sanitária – Anvisa, que dispõe sobre a proibição do uso das substâncias anfepramona, femproporex e mazindol, e também trata de medidas de controle de prescrição e distribuição de medicamentos que contenham sibutramina. O projeto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em abril deste ano.
Em enquete realizada na segunda quinzena de maio, o DataSenado, em parceria com a Agência Senado, o internauta foi convidado a se posicionar sobre a seguinte pergunta: “Em 2011, a Anvisa restringiu a comercialização de inibidores de apetite no Brasil. Você é a favor ou contra o projeto que libera o uso desses medicamentos (PDS 52/2014)?”. A maioria, 62%, afirmou ser favorável à tal liberação.

A análise do projeto pelo Senado foi adiada por um pedido de vista coletiva e deve retornar à pauta na próxima reunião da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

A proposta é defendida pela maioria dos senadores, mas a base governista pediu mais tempo para analisá-la. O projeto, já aprovado pela Câmara dos Deputados, é de autoria do deputado Beto Albuquerque (PSB-RS) e recebeu relatório favorável da senadora Lucia Vânia (PSDB-GO). Em sua avaliação, a Anvisa errou por fazer um decreto generalizado, com o intuito de evitar os abusos, sem ouvir os médicos.
Vários parlamentares se manifestaram lembrando que os inibidores de apetite são as únicas opções de pessoas que não podem esperar, por exemplo, por uma cirurgia bariátrica. O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) afirmou que, se não são ideais, os medicamentos são o que há de melhor em terapia farmacológica para tratamento da obesidade.
Ainda, foi considerada a possibilidade do surgimento de mercado ilegal desses remédios, o que causaria grandes danos à população.
- A proibição fecha a porta do tratamento e abre a porta para a morte. E a comunidade médica não foi consultada – lembrou ainda o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), presidente da CCJ.

Fonte: Senado Federal

APOIO DAS SOCIEDADES MÉDICAS - A Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade) sempre foi contra a suspensão da agência, destacando que, esses medicamentos, quando usados com o acompanhamento médico, são uma boa alternativa aos pacientes obesos.

Em entrevista à Thamires Andrade, do Portal Uol, a endocrinologista Maria Edna de Melo, diretora da Abeso, afirma que o problema não é o uso das substâncias, mas, sim, as doses exageradas que muitas pessoas tomavam sem qualquer tipo de acompanhamento. "Muitos compravam clandestinamente ou pegavam o remédio do amigo, pois a receita deles ficava retida nas farmácias exatamente para evitar o consumo desenfreado. Só que, ao invés de aumentar a fiscalização, a agência preferiu retirar a droga do mercado, o que afetou muito os pacientes com obesidade", avalia.

Ainda na reportagem do Uol, Maria Edna destaca que a opção aos endocrinologistas foi introduzir a sibutramina no tratamento. O problema é que não são todos os pacientes que respondem bem à medicação. "Muita gente voltou a ganhar peso, sem contar os que não podiam comprar os remédios mais caros, deixando o tratamento interrompido", relembra.

A endocrinologista lembrou que estudos provam que esses remédios, quando tomados na dose adequada e nos casos certos, não têm efeitos colaterais e auxiliam na mudança do comportamento alimentar. "Essa alteração não é fruto de ter força de vontade, mas são várias reações químicas cerebrais. Muita gente precisa do medicamento não só para comer pouco, mas para organizar essa nova rotina de alimentação. Cabe ao médico verificar se o paciente necessita disso e, em caso positivo, disponibilizar a dose adequada, pois não se sabe quando ele vai parar de tomar o remédio, já que a obesidade é uma doença crônica", ressaltou.

A Abeso também contesta a justificativa do presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, de que a suspensão dos inibidores de apetite atende a uma questão de saúde, em razão de risco de hipertensão pulmonar, hipertensão arterial e distúrbios psiquiátricos com o uso desses produtos. Tanto a Abeso quanto outras entidades médicas participaram de reuniões e colocaram todas as evidências disponíveis a favor dos remédios. "Eles foram irredutíveis, parecia que a proibição já estava decidida, pois não houve uma discussão científica sobre o tema", afirmou.

Leia matéria completa no UOL

terça-feira, 29 de abril de 2014

União terá de fornecer análogo de insulina a diabéticos em todo o País

O Ministério Público Federal conseguiu na Justiça obrigar a União a implantar protocolo clínico e viabilizar imediatamente no Sistema Único de Saúde (SUS) o acesso a análogos de insulina de longa e curta duração aos portadores de diabetes mellitus tipo 1 que apresentem quadro instável ou de difícil controle. Os análogos de insulina são versões mais modernas das insulinas atualmente fornecidas pelo SUS. 
Trata-se de um grande progresso, mas o ideal seria o acesso universal a estas medicações. A burocracia excluirá grande parte dos portadores de diabetes tipo 1 deste benefício, seja pelas regras ou pela dificuldade de acesso aos serviços especializados.

Veja abaixo os análogos de insulina que poderão entrar nos protocolos:
  • Insulinas de longa duração: detemir (Levemir) e glargina (Lantus)
  • Insulinas de curta duração, ultra-rápidas: aspart (Novorapid), glulisina (Apidra) e lispro (Humalog).

Para mais informações, assista ao vídeo no canal do CNJ no YouTube:

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Acordo deve reduzir sódio de requeijão, hambúrguer e embutidos

O termo assinado pelo governo e pelos fabricantes prevê redução de sódio em requeijão cremoso, sopa instantânea, sopa pronta para consumo e para cozimento, queijo muçarela, empanados, hambúrguer, presunto embutido, linguiça frescal, linguiça cozida a temperatura ambiente e mantida sob refrigeração, salsicha e mortadela.

Esse é o quarto acordo firmado entre o Executivo federal e os fabricantes de alimentos desde 2011 com o mesmo objetivo. Nos tratados anteriores, alimentos como pão de forma, macarrão instantâneo, batata frita, maionese, biscoito recheado, margarina, cereais matinais e temperos para massa e arroz também tiveram a quantidade de sódio reduzida.

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo diário de sódio deve ser de menos de dois gramas por dia, equivalente a uma colher de chá ou cinco gramas de sal. O sal, em quantidades maiores do que a recomendada, aumenta a pressão arterial, podendo alterar o ritmo cardíaco. Com o desequilíbrio, a pessoa corre mais riscos de sofrer enfarte e problemas circulatórios.

O consumo médio de sal pelo brasileiro é de 12 gramas diárias, mais do que o dobro sugerido pela OMS. Isso seria causado pelo hábito de colocar sal em alimentos processados e de comer frequentemente fora de casa.

O governo estima que, desde 2011, cerca de 11,3 mil toneladas de sódio deixaram de ser adicionadas aos alimentos que foram incluídos nos acordos firmados com a indústria alimentícia. Até 2020, o Executivo espera evitar a adição de 28,5 mil toneladas de sódio.

http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/11/governo-federal-faz-acordo-para-reduzir-sodio-em-grupo-de-alimentos.html

sábado, 25 de agosto de 2012

Botulismo: novos casos ligados a alimentos em conserva

A Vigilância Sanitária determinou a interdição cautelar do lote 1E0712 da mortadela da marca Estrela e do lote 300437 do milho verde em conserva da marca Quero. Com as interdições, os lotes não podem ser comercializados no Estado de São Paulo. A determinação da Vigilância Sanitária aconteceu após a notificação de quatro casos suspeitos de botulismo em Santa Fé do Sul, na região de São José do Rio Preto (SP).

O último registro da doença no Estado de São Paulo foi em 2009. Desde o ano de 1997, quando a doença passou a ser de notificação compulsória, o Estado de São Paulo registrou 22 casos, dos quais cinco mortes.

O botulismo é causado por uma bactéria (Clostridium botulinum) presente no solo, nas fezes humanas e de animais e em alimentos mal conservados. Ela cresce em ambientes sem oxigênio, como enlatados, em vidros e embalados a vácuo. As conservas de palmito são responsáveis por muitos dos casos no passado.

O período de incubação varia de algumas horas até oito dias. Sua duração está diretamente associada à quantidade de toxina liberada no organismo.

Os principais sintomas são visão dupla e embaçada, fotofobia (aversão à luz), ptose palpebral (queda da pálpebra), tonturas, boca seca, intestino preso e dificuldade para urinar.

À medida que a intoxicação evolui, o comprometimento progressivo do sistema nervoso se manifesta na dificuldade para engolir, falar e de locomoção. O mais grave de todos os sintomas do botulismo é a paralisia dos músculos respiratórios, que pode ser fatal.

Dicas:
- Fique atento a embalagens danificadas ou enferrujadas, que facilitam o crescimento da bactéria.
- Ferver os alimentos em conserva antes do consumo, como o palmito, é uma medida para destruir a toxina.

Curiosidade:
Apesar de letal, a toxina botulínica é usada em vários campos da Medicina, como, por exemplo, para reduzir movimentos musculares involuntários ou sudorese. Ela ficou famosa com o nome BOTOX, principalmente como anti-rugas.

Mais sobre botulismo: site do Drauzio Varella.


sábado, 26 de novembro de 2011

Senadores estendem a lei antifumo para todo o país

O Senado aprovou uma medida provisória que proíbe o fumo em ambientes fechados de acesso público em todo o país. Hoje, leis semelhantes já vigoram em São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.

O fumo é incontestavelmente prejudicial à saúde pública e causa mais vício e danos que muitas drogas ilícitas. Porque então não é proibido? Por que é culturalmente aceito. Mas isso está mudando.
As leis antifumo são um instrumento para inibir a cultura tabagista. Apesar de parecer discriminatória, é aceita pela maioria dos fumantes, que desejam parar de fumar mas muitas vezes não conseguem se livrar do vício. Graças ao cerco ao fumo em ambiente público, muito mais pessoas conseguem concientizar-se e parar de fumar.
No Brasil, estima-se uma população fumante de 15% --em 1989 era de quase 35%.

Outras alterações foram aprovadas no Senado. Uma delas é a que prevê que, a partir de 2016, os maços de cigarros também tragam mensagens de advertência sobre os riscos do produto à saúde em 30% da parte frontal (hoje existe só na parte de trás). A proposta também prevê o aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre o cigarro e a proibição de criar lugares exclusivos para fumantes (tabacarias). 
Por outro lado, a medida provisória também traz um retrocesso: a liberação da publicidade do cigarro em eventos - mas há forte pressão do Ministério da Saúde para que esta parte do texto seja vetada.

Proibir a comercialização do cigarro talvez não seja possível e estimularia seu tráfico, pois a fiscalização é falha. Para minimizar o impacto do cigarro na saúde pública, é preciso mudar a cultura - sem propaganda, mal visto em público, custando mais caro - e fornecer recursos para auxiliar a interrupção do tabagismo - através de campanhas de motivação e centros públicos de tratamento do vício.

sábado, 8 de outubro de 2011

A Fábula dos Inibidores de Apetite

Era uma vez, num Reino chamado Brasil, Três Porquinhos - Femproporex, Anfepramona e Mazindol -, especialistas em moderar o apetite, cinquentões com bastante experiência no tratamento da obesidade. Outros porquinhos já tinham assado na brasa porque foram acusados de efeitos colaterais sérios. Aqueles três não eram perfeitos, mas, bem ou mal, passaram pelo crivo do tempo.

Certo dia, há uns 10 anos atrás, chegou um Cordeirinho chamado Sibutramina, cheio de pompa e luxo, e disse pra eles: "olá, Três Porquinhos, olha como vocês são feios e mal-acabados!" Chamou-os de "filhos da... anfetamina" e outros xingamentos, acusou-os de maltratar os corações das pessoas e de viciar e enlouquecer as suas mentes.
As pessoas, animadas por aquelas palavras, jogaram pedra nos Três Porquinhos e diziam, "que vergonha, viver com essas drogas perigosas, por que você não segue uma dieta direito e não faz exercícios!" e depois corriam para o Cordeirinho. E voltavam a ele. E viviam com ele.
O Cordeirinho foi um SUCESSO, pois oferecia uma segurança nunca antes prometida. Todos o queriam.  E ele tinha MUITOS AMIGOS, além dos endocrinologistas, que os Três Porquinhos nuncam tiveram: os cardiologistas, os ginecologistas, os clínicos, os cirurgiões, alguns psiquiatras... Até alguns pediatras...

Um dia, alguns amigos estrangeiros do Cordeirinho tiveram uma IDEIA GENIAL. Tinha muita gente contra-indicada para tratar-se com ele porque tinha doença cardiovascular. Mas, e se melhorassem da doença através do controle da obesidade? Fizeram um grande estudo e o Cordeirinho, todo orgulhoso, tratou dessas pessoas por cerca de 6 anos seguidos.
Qual não foi a surpresa desses amigos quando os resultados do estudo vieram... Virou escândalo internacional, digno de tablóide: LOBO EM PELE DE CORDEIRO É ACUSADO DE CAUSAR DOENÇA CARDIOVASCULAR.
O Cordeirinho entrou em pânico. "Armaram isso pra mim! Não tenho culpa! Fui obrigado a tratar pessoas que tinham CONTRA-INDICAÇÃO! Vejam, eu continuo aquele Cordeirinho, não sou Lobo Mau, posso continuar a tratar todas as outras pessoas, que não vai ter complicação!"
Tarde demais, não dava para sustentar. O Cordeirinho foi banido nos reinos da Europa, depois dos EUA e de vários outros. Foi abandonado até pelo o alquimista que o criou. Os amigos médicos, mesmo os cardiologistas, escutavam os seus  apelos e nele acreditavam. Mas os reinos distantes não aceitaram os protestos.
No Reino do Brasil, as pessoas fugiam do Cordeirinho. Muitas, desesperadas, apelaram aos Três Porquinhos. Sempre pacientes, acolheram toda gente que antes os renegou. "Essa estória de acusar o Cordeirinho de Lobo Mau vai respingar na gente", pensaram eles.
Mesmo humilhado, obrigado a andar por aí com uma marca "vergonhosa" - uma tarja preta que antes só os Porquinhos tinham -, o Cordeirinho continuou, graças ao apoio dos médicos. Mas o Brasil tem um Reino Louco, que precisava cortar cabeças. "Se os gringos fizeram, deve ser bom." E, como os Porquinhos temiam, não bastava jogar o dito Lobo (injustamente) no caldeirão - o Reino tinha que acabar com a Fábula toda, levando junto OS TRÊS PORQUINHOS. Afinal, acreditavam que "pessoas gordas" não mereciam que lhe contassem essas estorinhas.
Mais que em qualquer outro reino, muitas pessoas no Brasil abusavam dos Porquinhos, mesmo durante a Era do Cordeirinho. E todos sabem que, quando o Reino é falho em coibir o abuso de alguns, quem trabalha direito deve pagar o preço. Além disso, se o Cordeirinho tinha estudos mas revelou suas limitações, os Porquinhos "nem estudos tem". Como se cinquenta anos de experiência nada valessem
Então, Cordeirinho, Porquinhos e médicos se juntaram para defender seus direitos. O DIREITO DE ESCOLHER O MELHOR TRATAMENTO PARA SEUS PACIENTES COM OBESIDADE.
No fim da estória, a corda arrebentou mesmo do lado mais fraco. ASSARAM OS TRÊS PORQUINHOS [1]. E os médicos e os pacientes PERDERAM UM DIREITO - DE ESCOLHA [2]. Pior ainda para os endocrinologistas, que perderam três válidos instrumentos de trabalho, restando-lhes só o Cordeirinho para moderar o apetite. Este REINO LOUCO  só salvou aquele que acusou primeiro, o Cordeirinho que julgou ser Lobo Mau - mas, na dúvida, manteve-o vigiado, cheio de (mais) amarras burocráticas para ser usado.
[1. Agência Nacional de Vigilância Sanitária decide retirar anorexígenos do mercado e manter sibutramina com restrições.]
[2. CFM decide entrar na Justiça contra proibição de anorexígenos pela Anvisa.]

CURIOSIDADE: na Europa, não sobrou nenhum moderador de apetite. Nos EUA,  ainda sobrou um "Porquinho", primo do Femproporex, a Fentermina.

ESPEREM, A ESTÓRIA AINDA NÃO ACABOU. As pessoas ainda vão continuar a correr atrás de estórias de Porquinhos de contrabando ou pílulas de fundo de quintal, sem descrição de composição, com sabe lá quais substâncias proibidas dentro; de plantas mágicas, pozinhos ou óleos milagrosos; de dietas com nomes intrigantes ou novas injeções (até na testa, se precisar) - porém, MAIS OPÇÕES COM ALGUM EFEITO REAL E SEGURO sobre o complexo sistema que regula fome, saciedade e gasto energético vão demorar para surgir.

MORAL DA ESTÓRIA: não se pode ignorar o poder dos preconceitos, no caso, sobre a obesidade.

Engulam essa... Bom apetite!

domingo, 26 de junho de 2011

EUA propõem substituição da pirâmide alimentar por prato

(...) A nova representação, que recebeu o nome de "MyPlate", divide um prato em quatro porções iguais: uma de fruta, outra de verduras, uma terceira de proteínas e a quarta de cereais integrais. Além disso, ao desenho é acrescentado um copo, que representa os laticínios. (...) Metade do prato deve conter frutas e verduras, e pelo menos a metade dos cereais consumidos deve ser integral, segundo as recomendações.
Além disso, é conveniente que o leite consumido tenha pouca gordura, beber água em vez de bebidas doces e ingerir pouco sal.
A antiga imagem, a "Pirâmide de Nutrição", representava os grupos alimentares em forma triangular. Os alimentos que deviam ser ingeridos em maior quantidade se encontravam em sua base, enquanto aqueles que deviam ser consumidos moderadamente ficavam no topo.
Segundo o Departamento de Agricultura, a pirâmide "estava fora de moda e era muito complicada" para os cidadãos, que reclamavam de receber informação contraditória, mas ela continuará disponível para os profissionais da área de saúde.
Ele ressaltou ainda que a nova representação "se centra em uma imagem familiar, a de um prato" e busca transmitir aos cidadãos a informação de que necessitam para tomar decisões saudáveis na hora de se alimentar.
Saiba mais: Sociedade Brasileira de Diabetes; My Plate (site do Governo Americano)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Audiência Pública da ANVISA sobre Inibidores de Apetite : Diálogo com os Especialistas Prevalece

Especialidades Médicas e Farmacêuticos defenderam a continuidade dos anorexígenos (inibidores de apetite) no mercado brasileiro, mantendo a fiscalização e evitando a migração dos pacientes para o mercado negro de medicamentos.
O Superintendente da Anvisa, Dirceu Barbano, disse que ainda não há um prazo estipulado para a decisão final da questão.
Leia mais: ABESO; SBEM

Veja em vídeo a apresentação do Dr Ricardo Meirelles, presidente da SBEM, durante a audiência, sobre a posição das entidades contra a proibição proposta pela Anvisa quanto ao uso dos anorexígenos.

Abaixo-assinado contra a retirada de inibidores de apetite

Abaixo-assinado: Participe Você Também

A ABESO, com o apoio da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), publica abaixo-assinado online  em que solicita o apoio de todos, profissionais e pacientes, que estão se posicionando contra a intenção da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) de retirar do mercado brasileiro os medicamentos à base de sibutramina e os anorexígenos  de ação central.

O abaixo-assinado está endereçado ao Ministro da Saúde, Dr. Alexandre Padilha, e ao Superintendente da Anvisa, Dirceu Barbano. O documento pretende mobilizar os profissionais de saúde envolvidos com a obesidade, e também os pacientes, para tentar impedir que todos fiquem praticamente sem opções medicamentosas no tratamento da doença.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

ANVISA quer banir venda de emagrecedores no Brasil - endocrinologistas tomam posição sobre o tema

Segundo a ANVISA, os emagrecedores (sibutramina e derivados anfetamínicos) não foram capazes de impedir o aumento da obesidade no Brasil e no mundo e ainda poderiam fazer mal à saúde.
O fato é que os medicamentos sozinhos não resolvem o problema da obesidade e alguns perfis de pacientes não devem tomá-los, mas o uso bem-indicado pode ajudar os indivíduos no combate ao excesso de peso, evitando suas complicações, e não há substitutos eficazes no médio prazo.

Por isso, a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) defendem a MANUTENÇÃO destes medicamentos no brasil.
Veja a posição da ABESO e da SBEM.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Governo americano divulga orientações para conter obesidade

"Os americanos precisam reduzir o consumo de sal, comer menos e ingerir mais frutas e verduras, segundo as novas orientações de alimentação do governo dos EUA. Outros conselhos são substituir bebidas com açúcar por água e preferir alimentos com grãos integrais.'
(...)
'O anúncio feito ontem pelo governo contém 23 recomendações para o público em geral e seis para grupos específicos, como grávidas. As orientações gerais incluem evitar porções 'supersized' (extragrandes)."
Saiba mais:
Sociedade Brasileira de Diabetes
USATODAY
dietaryguidelines.gov

Governo anuncia remédios gratuitos para Pressão Alta e Diabetes

Veja a lista dos medicamentos no site da Sociedade Brasileira de Diabetes.

sábado, 9 de outubro de 2010

Sibutramina: posicionamento da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

"Sobre a notícia divulgada a 08/10/2010 a respeito da retirada do medicamento sibutramina do mercado em três países – EUA, Canadá e Austrália – a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) divulgam, como posicionamento oficial conjunto, uma parte do documento 'Atualização das Diretrizes para o Tratamento Farmacológico da Obesidade e do Sobrepeso', que acabam de concluir."

As sociedades da especialidade reforçam a segurança da sibutramina, quando bem indicada, e não concordam com a decisão de retirada do mercado divulgada naqueles países.

Leia o posicionamento no site da ABESO.

Sibutramina: orientação aos pacientes

Os pacientes que estão em uso de sibutramina podem manter o tratamento, POIS NENHUM INFORMAÇÃO NOVA SURGIU, além do que já sabíamos no início de 2010.
A medicação é segura apesar de haver algumas contra-indicações, que são as seguintes, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia: história pessoal de doença cardiovascular, incluindo doença arterial coronariana, acidente vascular cerebral ou ataque isquêmico transitório, arritmia cardíaca, insuficiência cardíaca congestiva, doença arterial periférica ou hipertensão não controlada (acima de 145/90 mmHg).

Não há evidências de contraindicação da sibutramina para diabéticos tipo 2 sem quadro clínico de doença coronariana.

Caso a agência reguladora brasileira (ANVISA) opte por retirar a droga do mercado, os usuários poderão terminar a caixa de medicação em uso e um novo tratamento deverá ser decidido com o médico na próxima consulta.

Novas drogas anti-obesidade são rejeitadas pelo FDA

A retirada da sibutramina pode até ser uma manipulação do mercado para abrir espaço para novas produtos. Entretanto, os últimos pareceres do FDA rejeitaram duas dessas novas drogas.

O Qnexa, uma nova medicação anti-obesidade, do laboratório Vivus, foi rejeitada pelo painel de especialistas do FDA que analisou a sua aprovação. Apesar de efetiva, o painel não ficou satsfeito com os efeitos colaterais cerebrais, tais como ansiedade e depressão, e recomendou estudos de segurança por tempo mais longo. Recentemente, outra nova droga, a Lorcaserina, também foi rejeitada. O parecer final do FDA para ambas os produtos deve vir no fim de outubro de 2010.

O Qnexa é a combinação de fentermina e topiramato. A fentermina é usada há décadas e é o anorexígeno mais prescrito nos EUA, porém só é aprovada para uso de curto prazo. O topiramato é um anticonvulsivante e é também usado para tratamento de enxaqueca, e é uma alternativa para a obesidade, principalmente em casos de compulsão alimentar.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Será o fim da sibutramina?

Este é o mais recente capítulo da saga da sibutramina.
Contexto
O estudo SCOUT mostrou que a sibutramina, usada por longo prazo (cerca de 6 anos), aumenta o risco de novos eventos cardiovasculares (como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral) EM PACIENTES COM HISTÓRIA PRÉVIA DESTE TIPO DE EVENTO, apesar de não aumentar a mortalidade. Estudos anteriores com pessoas sem este tipo de histórico indicavam que o uso da droga por longo prazo é seguro.
Com estes dados, a agência européia de controle de medicamentos proibiu a sibutramina na Europa PARA QUALQUER PACIENTE em janeiro de 2010. A decisão foi condenada por muitas autoridades médicas no mundo, que acreditavam ser mais coerente reforçar a CONTRA-INDICAÇÃO do medicamento para pacientes com HISTÓRIA PRÉVIA DE EVENTOS CARDIOVASCULARES. Esta foi a postura das agências americana (FDA) e brasileira (ANVISA), na época. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia deu parecer favorável a esta postura.
A ANVISA, que já analisava a epidemia da prescrição do remédio por médicos de especialidades que não tem como foco o tratamento da obesidade. aproveitou a oportunidade limitou a prescrição e venda do produto através da receita B2, antes reservada a anorexígenos com potencial risco de dependência (marcados por tarja preta na embalagem).
As indústrias foram obrigadas a mudar as caixas de tarja vermelha para tarja preta, apesar da sibutramina não apresentar risco de dependência. Essa adaptação estava em andamento em setembro e outubro de 2010.
Agora, o FDA revisou sua postura e pediu que o laboratório Abbott retirasse o produto do mercado. O Abbott acatou a decisão, conforme divulgado hoje, 08 de outubro de 2010. O produto será retirado nos EUA, Canadá e Austrália.
Estranho pensar que um medicamento com tantos estudos seja eliminado do arsenal contra a obesidade, enquanto os anorexígenos tradicionais, sem qualquer estudo de médio ou longo prazos, permanecem intocados. Provavelmente porque sua prescrição nos EUA e Canadá seja relativamente baixa (ainda que a fentermina, única opção disponível nos EUA, seja a droga anti-obesidade mais prescrita por lá). Em contrapartida, o Brasil é um dos países onde mais são usados tais anorexígenos (por aqui, essencialmente femproporex e anfepramona), com ou sem prescrição regular.
Qual será a posição da ANVISA agora (veja comunicado de hoje, abaixo)? Se a sibutramina cair no Brasil, em seguida cairão os demais anorexígenos? Há muitos críticos contra a manutenção de tais drogas em nosso país.
Se por um lado ficaríamos sem opções farmacológicas, por outro a contínua prescrição de anorexígenos atualmente disponíveis não é capaz de combater efetivamente a obesidade em longo prazo.
Restará o orlistate... Alguns recorreriam novamente aos antidepressivos com ação sacietógena, ou tentariam outros psicotrópicos, como o topiramato... E outros se renderiam às plantas da moda (lembram da Hoodia gordoni? Pois é, foi "substituída" pela Caraluma e pelo Citrus, e depois pela Folia magra, e depois...).
Os endocrinologistas brasileiros ficarão divididos...

Do site da ANVISA:
Nota à Sociedade – Segurança Sibutramina
8 de outubro de 2010
A Anvisa vem acompanhando o perfil de segurança do medicamento sibutramina e medidas imediatas foram tomadas em relação ao risco cardiovascular (1, 2).
Algumas agências reguladoras (3, 4 e 5) mudaram seu posicionamento quanto a permanência no mercado sobre a sibutramina. Todas as medidas estão sendo tomadas no sentido de elucidar os níveis de segurança da sibutramina para os usuários brasileiros, por meio da metodologia de trabalho de farmacovigilância.

1. Alerta SNVS/Anvisa/Nuvig/Gfarm nº 01, de 28 de janeiro de 2010, Novas contra-indicações de uso da sibutramina.
2. Anvisa aumenta controle sobre prescrição da sibutramina. 30 de março de 2010. (acessado em 08/10/2010)
3. http://www.fda.gov/NewsEvents/Newsroom/PressAnnouncements/ucm228812.htm (acessado em 08/10/2010)
4. http://www.hc-sc.gc.ca/ahc-asc/media/advisories-avis/_2010/2010_169-eng.php (acessado em 08/10/2010)
5. http://www.tga.health.gov.au/alerts/medicines/reductil-withdrawal.htm (acessado em 08/10/2010)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

FDA não aprova Lorcaserina para o tratamento da obesidade

A Lorcaserina é um novo inibidor de apetite que tem ação seletiva sobre o receptor de serotonina do tipo 5HTc.
O destaque da substância é ter pouca afinidade pelos outros subtipos de receptores, envolvidos em efeitos colaterais como as valvopatias cardíacas e que levaram à proibição de alguns anorexígenos na década de 80. Os estudos incluíram o acompanhamento ecocardiográfico e não mostraram risco superior ao placebo para o aparecimento de alterações cardíacas. Entretanto, alguns especialistas não são tão confiantes sobre os resultados e recomendam um seguimento mais longo, mesmo que seja após a entrada no mercado.

Dúvidas surgiram também devido ao risco de câncer cerebral e de mama em ratos, o que também exigirá um monitoramento contínuo dos usuários.

Além disso, os estudos excluíram pessoas com doenças crônicas como diabetes e cardiopatias, então não há informação sobre eficácia e segurança nestes casos.

Com um efeito modesto na perda de peso, ainda que potencialmente benéfico, a balança pesou contra sua aprovação pelo FDA.

Avandia® (rosiglitazona) será retirado do mercado brasileiro

"(...) A Gerência de Farmacovigilância da Anvisa informa que foi publicada, na data de hoje, a Resolução nº 4.466 de 28/09/2010, que trata sobre o cancelamento do registro do medicamento Avandia® (rosiglitazona), em todas suas apresentações farmacêuticas e associações, por considerar que os riscos superam os benefícios.

'Oportunamente, também será publicado no site da Anvisa o Alerta SNVS/Anvisa/Nuvig/Gfarm nº 04, de 29 de Setembro de 2010 – Risco cardiovascular do medicamento Avandia® e o Informe SNVS/Anvisa/Nuvig/Gfarm nº 03, de 29 de setembro de 2010 – Informações sobre Segurança da Pioglitazona (Actos®)."

Leia os anexos citados:

Risco cardiovascular do medicamento Avandia®

Informações sobre Segurança da Pioglitazona (Actos®)
 
Saiba mais no site da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Sibutramina: Comunicado - Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO), emitiram um comunicado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no qual reiteram sua posição contra as recentes restrições ao uso da sibutramina.


No texto, as sociedades consideram a relação risco/benefício favorável ao uso do medicamento e afirmam que sua manutenção é necessária por tratar-se do “único medicamento antiobesidade de ação central aprovado no país para uso em longo prazo”.

As entidades avaliam como inadequada a inclusão da sibutramina na lista B2 de medicamentos, “já que, ao contrário de outros medicamentos nela listados, não existem evidências de potencial de dependência com a utilização de sibutramina”. De acordo com o comunicado, “o controle de prescrição pode ser efetuado por meio do receituário carbonado, posto que a maioria das farmácias já está cadastrada pela Anvisa, fato que amplamente foi divulgado pelo órgão recentemente”.

No dia 30 de março deste ano, a Anvisa publicou no Diário Oficial da União uma resolução que determina que os remédios que contenham a substância sejam vendidos apenas com a apresentação de receita azul, de controle especial. Dessa forma, o medicamento, muito utilizado no combate à obesidade, passou da classe C1 (controle especial comum) para a classe B2, sendo classificado como psicotrópico anorexígeno. A tarja do medicamento também mudou de vermelha para preta.

Leia mais em: Sibutramina: Comunicado - Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia